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Tive um choque com Buenos Aires.

Como eu pude perder as oportunidades que tive de ir lá…

Não pensei que a esta altura da vida, com quase 70 anos, (2013) pudesse ainda ser envolvido com a magia que um lugar pode produzir, especialmente se sonhamos com ele, aprendemos intelectualmente sobre ele, e para lá nos dirigimos, como foi meu primeiro lugar de sonho, N York.

Senti isto conhecendo Buenos Aires, sem sonhar com ela, sem saber nada dela, sem jamais ter pensado em me dirigir a ela, uma das maiores impressões que tive nesta existência..

Fato é que eu julgava morta a minha capacidade de apreciar uma cidade nova no meu imaginário, já que (preconceituosamente…) já havia estabelecido NY, Paris, Londres, etc como referencias insuperáveis e com demandas de energia, dinheiro, tempo, além das minhas posses e, principalmente, vontade, pois que, aliás, não sinto mais falta disto.

Eu tinha certeza, a esta altura, que tinha perdido o precioso contacto que a obra de Jorge Luis Borges propicia, principalmente aos  de natureza subjetiva, e dentre os projetos que talvez eu não vá mais ser enterrado com sem realizar, estava o de entrar em contacto com a obra dele.

Dupla satisfação: Nas Galerias Pacíficos, em Buenos Aires, que tem um espaço cultural dedicado a ele, estava la um mural com os seguintes dizeres:

“Um hombre se propone la tarea de dibujar el mundo. A lo largote los anos puebla un espacio de provincias, de reinos, de montanas, de bahias,de naves, de islas, de peces, de habitaciones, de instrumentos, de astros, de caballos y de personas Poco antes de morir descubre que este paciente laberinto de lineas traza la imagen de su cara.”

J L Borges “Epilogo”, E Hacedor, Obras Completas, Emecé,1989

¡Qué maravilla definida y prolija es um plano de Buenos Aires! Los barrios ya pesados derecuerdos, los que tienen cargado el nombre: la Recoleta, el Once, Palermo, Villa Alvear, Villa Urquiza; los barrios allegados por una mistad o una caminata: Saavedra, Nunez, los Patricios el sur; los barrios en los que no estuve nunca y la fantasia puede rellenar de torres de colores, de novias, de compadritos que cminan bailando (…)”

J L Borges, Textos recobrados 1919-1929, Emecé,1997

Não resisto…Encontro-me comigo mesmo, nesta cidade, cuja cultura, subitamente surge…

El instante

¿Dónde estarán los siglos, dónde el sueño
de espadas que los tártaros soñaron,
dónde los fuertes muros que allanaron,
dónde el Árbol de Adán y el otro Leño?

El presente está solo. La memoria
erige el tiempo. Sucesión y engaño
es la rutina del reloj. El año
no es menos vano que la vana historia.

Entre el alba y la noche hay un abismo
de agonías, de luces, de cuidados;
el rostro que se mira en los gastados

espejos de la noche no es el mismo.
El hoy fugaz es tenue y es eterno;
otro Cielo no esperes, ni otro Infierno

O instante

Onde estarão os séculos, onde o sonho
de espadas que os Turcos sonharam,
onde (estarão) os fortes muros que invadiram,
onde (estará) a árvore de Adão e o Lenho (do Cristo)?

O presente está só. A memoria

erige o tempo. Sucessão e engano
é a rotina do relógio. O ano
não é menos vão do que a vã história.

Entre a madrugada e a noite há um abismo
de agonias, de luzes, de cuidados;
o rosto que vemos nos

gastos espelhos da noite não é o mesmo.
O hoje fugaz é tênue e eterno;
Não espere outro Céu, nem outro Inferno

Este trabalho é como desenhar programa de computador: recorrente, pode entrar nele em qualquer ponto que se encontra o começo, o meio e o fim, que na verdade não tem,  e vai sendo emendado com pedaços que façam melhor sentido em qualquer ponto… e modificando sua entrada, seu suposto começo, meio e fim… Tentativamente, já que vai mudar conforme o caminhar, uma sequência que inicio pode ser encontrada em Index.

 

 

 

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